20 março 2010

A Barata Corajosa





"Quando a vi, minha mente contemplou o diálogo marcante que mudaria minha vida, minha menina histérica e minha mulher madura interior...".


Quase Outono no Litoral gaúcho, mas o calor ainda é intenso. Com meu banho sagrado concluído, trajada com regata e bermudinha da Lilika Ripilica em conjunto com o indispensável chinelo havaianas estou pronta para um soninho maravilhoso.

Ainda precisava ler alguns e-mails, então, sentei, coloquei uma coletânea de MPB pra tocar, enquanto lia e respondia mensagens virtuais.

É difícil explicar, alguém acredita em sexto sentido? Eu posso jurar que pressinto a presença de animais asquerosos. Desta vez foi uma barata. Desengonçada, magricela, meio amarelada, completamente apática e com antenas enormes, não faz diferença nenhuma no ecossistema.

E não é que a audaciosa estava dentro do meu quarto? É a primeira que se atreve.
Em minha casa já apareceram baratas, mas no meu quarto, nunca! Posso dizer que apesar de todos os defeitos ela foi corajosa, mas isso não me sensibiliza ainda mais nessa fase da minha vida.

Quando a vi, minha mente contemplou o diálogo marcante que mudaria minha vida, minha menina histérica e minha mulher madura interior.

- Meu Deus, cadê o spray mata insetos? Sempre some quando eu preciso.
- Vou gritar.
- Mas todos estão dormindo!
- Dane-se, é uma barata, eu vou gritar.
- Não, há vinte e dois anos você grita, faça alguma coisa diferente
– Vou correr e dormir na sala
- Não seja covarde menina histérica. MATE-A.

Quem me conhece sabe que eu não tolero este inseto. Sou capaz de gritar para o mundo ouvir, mas desta vez resolvi agir diferente, minha mulher madura interior está querendo tomar conta da minha vida! Enfrentei a barata.

Levantei do meu lugar de conforto e medo, olhei para a barata. Diante de mim, ela era um nada. Saquei meu incrível chinelo Havaianas direito e crawww... Bem em cima dela. MATEI!
Nem gritei. Que orgulho de mim mesma!

Estou tão feliz, não por ter matado uma barata, mas por matá-la sem alardes, ela nem esperava minha atitude de coragem. Se ela não tivesse morrido, se surpreenderia comigo, mas já que ela morreu, resolvi postar este texto, em homenagem a corajosa barata que achou que eu seria covarde mais uma vez.

Aos queridos e fieis leitores, o meu muito obrigada, pela atenção e carinho...


...E BARATAS: Não subestimem minha coragem e minha capacidade
de agir diante dos medos. Não coloquem as anteninhas
onde não foram chamadas ou... CRAAWWWW... rsrss... #ficalerta